
O número de acidentes de trabalho voltou a crescer em Mato Grosso do Sul. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o estado registrou aproximadamente 10 mil casos nos anos de 2021 e 2022. Em 2023, último ano com dados consolidados, esse número saltou para 11.527 ocorrências.
A faixa etária mais atingida é a de jovens entre 20 e 29 anos, com mais de 3.700 registros apenas nesse grupo. O dado acende um alerta sobre a falta de percepção de risco entre os trabalhadores mais novos, como explica o engenheiro de segurança do trabalho Albertoni Martins, que atua na área há mais de 25 anos.
“O jovem quer testar os equipamentos e as atividades sem perceber o risco. Eles ainda não passaram por investigações de acidente e acabam aprendendo na prática, quando erram. Isso mostra uma grande carência de formação de base”, pontua.
De acordo com o Ministério da Saúde, 83 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho em Mato Grosso do Sul no ano passado. Cinco dessas mortes foram causadas por descarga elétrica.
Um dos casos mais recentes é o de um jovem de 24 anos que faleceu no último fim de semana, na Santa Casa de Campo Grande, após 48 dias internado devido a um choque elétrico sofrido enquanto trabalhava.
Albertoni reforça que a cultura de prevenção ainda é frágil no ambiente de trabalho e precisa ser fortalecida, tanto nas empresas quanto entre os próprios profissionais.
“A segurança do trabalho ainda é pouco tratada. Falta uma formação estruturada desde os cursos preparatórios até a universidade e o ensino técnico. Muitos jovens chegam nas empresas sem noção dos riscos que vão enfrentar”, alerta o especialista.
Somente em 2024, a Santa Casa de Campo Grande já realizou mais de 1.500 atendimentos relacionados a acidentes de trabalho. Entre esses casos, 34 foram causados por descarga elétrica.