
A Associação Juliano Varela promoveu, nesta quarta-feira (2), uma série de atividades em celebração ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, na Unidade II da instituição, localizada no bairro Tiradentes, em Campo Grande (MS). O evento contou com uma caminhada, oficinas, exposição de pinturas, brinquedos e diversas atividades voltadas para a conscientização e inclusão das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A presidente da Associação, Malu Fernandes, destacou a relevância da data e a necessidade de políticas públicas mais eficazes, não apenas para as pessoas com deficiência, mas também para suas famílias.
“O autismo não tem cura, mas ele evolui. A sociedade precisa entender isso e acolher as famílias. Hoje, a cada 36 nascimentos, um é autista. Se uma pessoa não tem um filho autista, pode ter um sobrinho, um vizinho, um neto. É fundamental que todos tenham conhecimento para acolher e incentivar o desenvolvimento dessas crianças”, afirmou Malu.
A Associação Juliano Varela foi fundada em 1994 e atualmente atende mais de mil pessoas com deficiências intelectuais, oferecendo terapias, escolarização e capacitação profissional. A entidade tem investido em terapias alternativas, como atividades aquáticas, dança e capoeira, visando estimular a interação social e o desenvolvimento cognitivo das crianças autistas.
Auxílio do pet no desenvolvimento infantil
Uma das atrações do evento foi a terapia assistida por cães, conduzida pelo voluntário Bruno Nóbrega. Segundo ele, a interação com os animais ajuda a reduzir a ansiedade e melhora a comunicação das crianças.
“O contato com os cães acalma, regula a frequência cardíaca e libera hormônios do bem-estar. Além disso, muitas crianças começam a falar de forma natural ao interagir com os animais”, explicou Bruno, que trouxe o cão Blank para participar da caminhada.
Famílias: desafios e avanços no tratamento
O evento também reuniu mães de crianças autistas, que compartilharam suas experiências sobre os desafios e avanços conquistados por meio do atendimento na associação.
Janaína Jesus, mãe de Enzo Gabriel, de 6 anos, e Samuel de Oliveira, de 16, contou que seu filho autista não falava antes de ingressar na instituição.
“Ele não falava nada, e hoje já conseguimos entender tudo o que ele diz. Aqui não tratam apenas da criança, mas dão suporte para as mães também”, disse Janaína, destacando a importância da inclusão social.
Já Cristina Mitsue, mãe de quatro filhos autistas, ressaltou a diferença que a instituição fez na vida dos mais novos. Seus gêmeos, Alicia e Daniel, de 12 anos, estão na Associação há três anos e demonstraram um desenvolvimento significativo.
“Minha filha mais velha, Beatriz, só foi diagnosticada aos 25 anos, e sentimos a dificuldade dela em se relacionar por não ter tido esse suporte antes. Já os mais novos estão aprendendo a ter mais autonomia e interação social graças ao trabalho feito aqui”, afirmou Cristina.
Capacitação
Além das atividades práticas, a Associação Juliano Varela busca ampliar o conhecimento sobre o TEA por meio da capacitação de profissionais da educação. Malu Fernandes ressaltou a importância de preparar professores para lidar com alunos autistas, promovendo um ensino mais inclusivo.
“O autista passa quatro horas na escola, mas 20 horas com a família. Se capacitarmos os pais e educadores, o avanço será muito maior”, pontuou Malu.
No próximo sábado (5), a Secretaria de Cidadania de Mato Grosso do Sul promoverá um evento com especialistas para abordar estratégias de manejo do comportamento agressivo em autistas. A iniciativa visa capacitar educadores e profissionais da área para que possam oferecer um suporte mais adequado às crianças.
Conscientização
O Dia Mundial da Conscientização do Autismo foi instituído pela ONU em 2007 e tem como objetivo disseminar informações sobre o TEA, combater preconceitos e promover a inclusão. Eventos como o realizado pela Associação Juliano Varela ajudam a ampliar esse debate e mostrar que, com apoio e conhecimento, é possível garantir mais qualidade de vida às pessoas com autismo.
A Associação Juliano Varela segue de portas abertas para famílias que buscam suporte, oferecendo oportunidades para o desenvolvimento de crianças, adolescentes e adultos dentro de um ambiente acolhedor e inclusivo.