A cardiologista Dra. Izabela Guimarães Alves, diretora clínica da Santa Casa de Campo Grande, e o médico chefe do setor de ortopedia, Dr. João Antônio Pereira Mateus, procuraram a Delegacia de Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência, denunciando a situação “caótica” enfrentada pelos profissionais no atendimento aos pacientes internados na unidade.
Conforme o relato dos médicos, o estoque de insumos e próteses ortopédicas está zerado e decidiram procurar a polícia por “ato de desespero“.
“Neste exato momento não existe nenhum material ortopédico (OPME) disponível para a realização de cirurgias de urgência e emergência que deveriam estar ocorrendo. A situação chegou no limite hoje, mas há semanas a quantidade de insumos não chega”.
Relato dos médicos no B.O. registrado em 25/03/25
O delegado William de Oliveira Junior recebeu dos médicos um documento contendo a relação de nomes de 70 pacientes que estão em situação iminente de morte e/ou sequelas. Conforme a denúncia – feita minutos após o hospital fechar as portas para tratamento ortopédico -, esses pacientes deveriam ter sido operados, mas os procedimentos não foram realizados por falta de materiais no hospital.
O médico chefe da ortopedia destacou que essa lista de pacientes pode aumentar. “Outros se acrescentarão porque acidentes ocorrem a todo momento e chegam na Unidade, que fechou a porta da ortopedia. Colapsou. Não dá mais“, relatou Dr. João aos policiais.
Os gestores registraram ainda que, além da ortopedia, outras especialidades médicas também enfrentam a escassez de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME), que até então estavam sendo financiados pela Santa Casa e, com o déficit financeiro, o hospital deixou de pagar os fornecedores.
A Secretaria Municipal de Saúde, que tem a gestão plena dos recursos do SUS em Campo Grande, informou em resposta à nossa reportagem que “os pacientes com necessidades específicas da Santa Casa, como politrauma e neurocirurgia, serão mantidos no hospital. Os casos compartilhados com outras unidades serão encaminhados conforme a capacidade das outras instituições, levando em consideração a lotação. A prioridade é assegurar a continuidade do atendimento e a segurança dos pacientes“.
A Sesau complementou a nota esclarecendo que “está em diálogo constante com a Santa Casa e outras instituições para encontrar soluções que garantam a continuidade do atendimento hospitalar. A secretaria enfatiza que não há débitos pendentes, e todos os valores de repasse estão sendo cumpridos corretamente“.
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*Reportagem atualizada às 15h35