Campo Grande se prepara para um novo ciclo de gestão a partir de 1º de janeiro de 2025, com desafios significativos e também grandes oportunidades para o crescimento econômico. Esta é a primeira reportagem da série especial “Desafios de Campo Grande”, produzida pela Rádio CBN Campo Grande que aborda as principais áreas que demandam atenção da administração municipal.
Campo de Oportunidades
O empresário estadunidense David Brofmam, que está há 10 anos na capital sul-mato-grossense, observa um cenário favorável para investimentos. Como sócio e conselheiro de uma construtora, ele destaca o potencial de crescimento no setor imobiliário, impulsionado pelo déficit habitacional em algumas regiões da cidade.
“Nosso planejamento estratégico prevê lançamentos até 2029. Há uma demanda crescente por habitação, especialmente em certas áreas de Campo Grande”, explica Brofmam.
Segundo o Censo Imobiliário da Construção, houve um aumento nas construções verticais na cidade, não apenas por conta da demanda local, mas também de pessoas vindas do interior atraídas pelas novas indústrias nos municípios vizinhos.
O presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias da Construção (Sinduscon-MS), Kleber Luiz Recalde, destaca que esse movimento aquece tanto a venda quanto a locação de imóveis.
“Empresas que se instalam no interior acabam abrindo escritórios de representação em Campo Grande. Profissionais preferem se estabelecer aqui devido à infraestrutura de educação e saúde. Foi o que aconteceu com a indústria de celulose em Ribas, que gerou demanda por 500 moradias na capital”, analisa Recalde.
Crescimento Sustentado
Para garantir o crescimento econômico sustentado, o economista Michel Constantino aponta quatro eixos fundamentais para Campo Grande: reestruturação fiscal, atração de empresas, pesquisa qualitativa e definição de vocação econômica.
“Campo Grande precisa de um conselho de especialistas em gestão e análise de dados. A arrecadação não deve depender apenas de impostos, mas sim do estímulo ao crescimento empresarial”, afirma Constantino.
Ele também defende a realização de pesquisas para entender as necessidades das comunidades e direcionar investimentos de forma estratégica. “Precisamos saber o que a população realmente deseja e definir o que queremos que Campo Grande seja no futuro: um centro financeiro, turístico ou logístico?”.
Aposta na Infraestrutura e Integração Logística
Um dos grandes projetos que impulsionam o desenvolvimento da região é a Rota Bioceânica, que conecta o Brasil ao Paraguai, Argentina e Chile. Para o economista e colunista da Rádio CBN Campo Grande, Hudson Garcia, a integração logística e a ativação do porto seco são fundamentais para maximizar os benefícios da iniciativa.
“Campo Grande precisa adotar estratégias integradas para atrair investimentos, como a revitalização do centro, melhorias na mobilidade urbana e incentivos fiscais”, explica Garcia. Ele destaca que a modernização do transporte e parcerias público-privadas (PPPs) podem acelerar o desenvolvimento.
Lei de Liberdade Econômica
Um dos marcos para o desenvolvimento em 2024 foi a implementação da Lei de Liberdade Econômica de Campo Grande, que promete destravar novos negócios. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), Renato Paniago, acredita que a legislação incentiva o empreendedorismo e gera mais empregos.
“Criar um ambiente favorável para empresas e oferecer incentivos fiscais é essencial para fortalecer o comércio e a indústria local”, conclui Paniago.