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MEIO AMBIENTE

Farol do Rio Paraguai fica exposto e seca extrema preocupa especialistas

Das 14 estações monitoradas pelo Imasul, 12 registram níveis abaixo da média esperada

Faróis descobertos pela seca - Foto: Reprodução/Rede Social
Faróis descobertos pela seca - Foto: Reprodução/Rede Social

Uma imagem tem chamado a atenção dos moradores de Corumbá nos últimos dias: o farol do Rio Paraguai, que costumava ficar submerso, agora está quase completamente exposto.

O nível da água está tão baixo que já é possível caminhar pelo leito do rio até o farol, um reflexo da grave estiagem que afeta a região. A navegação foi suspensa no local e a situação pode se agravar ainda mais, conforme alertam especialistas.

O pesquisador da Embrapa Pantanal, Carlos Padovani, destaca que a principal preocupação na Bacia do Alto Paraguai é justamente o nível reduzido do rio Paraguai.

“A navegação está paralisada e corremos até o risco de ter dificuldades na captação de água. Abaixo de 60 ou 70 centímetros, a coleta fica comprometida, pois o duto que faz essa captação é fixo. Intervenções serão necessárias para garantir o abastecimento da cidade”, explicou.

Falta de chuvas agrava situação

A principal causa da seca nos rios do estado é a escassez de chuvas. Em Corumbá, entre janeiro e agosto deste ano, foram registrados 418 milímetros de precipitação – 133 milímetros a menos que a média histórica para o período, segundo dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec).

O impacto da estiagem vai além do Rio Paraguai. Das 14 estações monitoradas pelo Instituto de Meio Ambiente do Estado (Imasul), 12 registram níveis abaixo da média esperada, e 9 delas já estão classificadas em situação de estiagem. O Rio Miranda, por exemplo, atingiu na última semana o menor nível em 15 anos de monitoramento, com apenas 95 centímetros de profundidade.

A técnica Elizabeth Art, da Sala de Situação do Imasul, reforça que, apesar de ser comum um período seco nesta época do ano, os níveis dos rios estão excepcionalmente baixos em 2025. “A estação de Ladário pode atingir o menor nível do Rio Paraguai em 124 anos de medições. Da mesma forma, Porto Murtinho pode registrar a pior marca em 85 anos de monitoramento”, alertou.

Previsões não são animadoras

O período chuvoso tem início em outubro, mas não há garantias de que será suficiente para normalizar os níveis dos rios. De acordo com Carlos Padovani, as previsões indicam chuvas abaixo da média histórica entre outubro deste ano e março de 2026.

“Isso significa que dificilmente os níveis do Rio Paraguai, em Ladário, alcançarão a marca de quatro metros, que seria o mínimo esperado para restabelecer a normalidade”, afirmou o pesquisador.