O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) realizou, na última terça-feira (18), a transferência de oito macacos-prego e um tuiuiú para um recinto de ambientação na Fazenda Santa Sofia, em Miranda. A ação faz parte do processo de reabilitação desses animais antes da reintegração à natureza.
Os animais permanecerão no local até que estejam adaptados ao ambiente natural. A soltura branda, técnica que permite uma transição gradual para a vida na natureza, será realizada fora do período de seca, entre abril e setembro, quando há maior oferta de alimentos naturais.
O processo é coordenado por especialistas do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), que acompanha a recuperação dos indivíduos desde o resgate até a reintrodução ao habitat natural.
Reabilitação do tuiuiú
O tuiuiú, símbolo do Pantanal, foi resgatado pelo Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal (Gretap) em Miranda. A ave apresentava dificuldades para voar e, por isso, recebeu tratamento especializado no CRAS. Após a recuperação, foi encaminhada para a Fazenda Santa Sofia, onde já demonstra adaptação ao ambiente.
De acordo com a veterinária Jordana Toqueto, responsável pelo acompanhamento do caso, o processo de reabilitação garantiu que o animal desenvolvesse suas habilidades de voo antes de ser transferido.
Histórico dos macacos-prego
Os oito macacos-prego transferidos possuem diferentes histórias de resgate e apreensão. Alguns foram entregues voluntariamente, enquanto outros foram capturados por órgãos ambientais e policiais.
Entre os indivíduos reabilitados, estão um macho alfa capturado em Mundo Novo, um filhote resgatado com sarna sarcóptica pela Polícia Rodoviária Federal de Terenos e uma fêmea jovem encontrada em uma residência de Ponta Porã.
A bióloga Fernanda Mayer, do Imasul, destaca que cada animal passa por um processo de reabilitação específico, respeitando seu tempo e condições físicas.
Exames e preparação para a soltura
Antes da transferência, todos os animais foram submetidos a exames clínicos detalhados para detectar possíveis doenças, como Anaplasma sp., Babesia sp. e Leptospira sp.. Como resultado, foi confirmada a aptidão para o deslocamento e posterior reintrodução na natureza.
Os filhotes receberam alimentação especial e foram acompanhados até estarem prontos para uma dieta sólida. Segundo a bióloga Márcia Delmondes, o principal objetivo da reabilitação é garantir que os animais possam sobreviver sem interferência humana.
Hospital Ayty e estrutura de reabilitação
O processo de recuperação dos animais contou com o suporte do Hospital Ayty, unidade do Imasul especializada no atendimento de fauna silvestre. A infraestrutura do hospital inclui farmácia, setor de esterilização, raio-X e centro cirúrgico completo, garantindo um tratamento eficiente.
O diretor-presidente do Imasul, André Borges, reforça que o trabalho do CRAS e do Hospital Ayty é essencial para proporcionar uma segunda chance aos animais resgatados, garantindo sua reintegração ao ambiente natural com segurança.
A iniciativa reafirma o compromisso do Estado com a preservação da fauna pantaneira e a recuperação de espécies silvestres, fortalecendo as ações de conservação no Mato Grosso do Sul.