O que começa com uma infância simples, no interior de Campo Verde (MT), entre bezerros e festivais escolares, se transforma em uma das duplas femininas mais promissoras do sertanejo atual.
Júlia & Rafaela, irmãs gêmeas que vêm ganhando espaço na música brasileira, agora apostam suas fichas em Campo Grande, onde pretendem fixar residência e firmar ainda mais sua identidade artística.
Durante entrevista na Rádio Massa FM Campo Grande, a dupla afirmou que a cidade sul-mato-grossense tem um lugar especial na história da duas. “Nosso primeiro show profissional foi em Caarapó, e quando voltamos com o projeto ‘Boteco das Iguais’, foi em Campo Grande que fizemos nosso primeiro show do ano. Foi emocionante ver a galera cantando junto”, conta Rafaela.
Raízes sertanejas e internet só aos 13
Criadas em ambiente rural, as irmãs passaram boa parte da infância cuidando de animais na fazenda. “A gente tratava bezerro pro nosso pai. Não recebia nada, mas foi ali que nasceu a disciplina”, brinca Júlia.
A relação com a música começou cedo, ouvindo Teodoro & Sampaio, Gino & Geno e cantando em festivais da escola. O acesso à internet só chegou quando elas tinham 13 anos — e junto vieram novas referências, como Maiara & Maraisa e Janaynna Targino.
A virada veio quando um escritório artístico de Maringá se interessou pelos vídeos que elas postavam no YouTube. Em poucos dias, estavam gravando em estúdio pela primeira vez.
“Foi um sufoco. A música era super aguda, eu travei, chorei. Meu pai olhou e disse: ‘lembra dos bezerros’. Foi tipo: dá teu jeito, filha”, relembra Rafaela.
Pandemia, recomeço e amadurecimento
Durante a pandemia, a dupla voltou para a cidade natal e se dedicou às redes sociais para manter o público aquecido. Lives, covers ajudaram a segurar a onda até que decidiram tentar uma nova etapa em Goiânia, ao lado da irmã mais velha, Camila Mores, que também é compositora.
“Foi tudo muito rápido. Mudamos, recomeçamos do zero, sem dinheiro, sem equipe. Mas tínhamos força de vontade. Começamos a compor, gravar vídeos, estruturar uma nova fase”, diz Júlia.
O amadurecimento trouxe também mais consciência artística. “Antes a gente gravava o que o mercado queria. Hoje, escolhemos o que faz sentido pra gente.“
Parceria com Ana Castela e projeto autoral
O novo momento da carreira é marcado pela participação de Ana Castela na música “Moto”, aposta da dupla. A colaboração surgiu de forma espontânea, após um show em Santa Catarina.
“Ela demonstrou interesse em participar. A gente nem acreditou. Gravou super rápido e lançou com a gente”, lembra Rafaela. A música viralizou e deu nova projeção à dupla.
Além de Ana, a dupla também estreitou laços com nomes como Pedro Henrique & João Victor e Alexia Reis. “Hoje a gente se sente mais à vontade no palco e nas redes. A timidez ficou pra trás”, afirmam.
Novo lar e conexão com MS
Com família morando em Campo Grande e uma conexão afetiva com o público local, Júlia & Rafaela agora se mudam para a capital sul-mato-grossense, onde pretendem desenvolver novos projetos.
“Aqui é casa. A gente sente isso. O carinho das pessoas, o reconhecimento… Tudo encaixou”, diz Júlia.
A dupla reconhece que ainda não tem total noção da proporção que sua música tomou. “Às vezes a gente tá de chinelo na rua, toda desarrumada, e alguém pede foto. É muito doido. Mas é gratificante”, comenta Rafaela.
Futuro: entre o sertanejo e o experimental
Embora o sertanejo seja a base da carreira, as influências da dupla são amplas. Rafaela, por exemplo, escuta Tim Bernardes, MPB e até música internacional para relaxar — mesmo durante o treino de academia. “Outro dia chorei ouvindo música fazendo abdominal”, conta, rindo.
Camila Mores, a irmã compositora, também traz outra energia ao projeto. “Escrevo coisas mais tristes, mais densas. Tenho vontade de explorar outros gêneros além do sertanejo. Tudo depende da inspiração”, diz.
Com autenticidade, talento e uma história marcada por coragem, Júlia & Rafaela seguem conquistando público dentro e fora do universo sertanejo — agora com o Mato Grosso do Sul como cenário e ponto de partida para os próximos capítulos.