A precariedade da saúde pública voltou a ser debatida após a voz de prisão dada a uma médica que atendia na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino, em Campo Grande (MS). O caso repercutiu amplamente e evidenciou os desafios enfrentados pelos profissionais da área, que lidam diariamente com a superlotação e a falta de estrutura.
Em entrevista ao Microfone Aberto na manhã desta quinta-feira (3), o presidente do Sindicato dos Médicos (Sinmed), Dr. Marcelo Santana, destacou o cenário caótico nas unidades de atendimento e alertou para a necessidade de investimentos urgentes na infraestrutura hospitalar. Segundo ele, a médica envolvida no episódio teria realizado o atendimento ao paciente, mas, devido à falta de leitos na enfermaria, precisou acomodá-lo em uma cadeira. A situação gerou indignação por parte da família, que acionou a polícia, resultando na tentativa de detenção da profissional.
Superlotação e Falta de Recursos
A crise na saúde pública não se limita apenas à capital do estado. De acordo com Dr. Marcelo, hospitais em todo o Mato Grosso do Sul enfrentam dificuldades semelhantes. O aumento populacional, impulsionado pelo desenvolvimento econômico da região, não foi acompanhado por um crescimento proporcional na estrutura hospitalar. “A demanda aumentou, mas a oferta de atendimento permaneceu a mesma”, afirmou.
O presidente do Sinmed enfatizou ainda o impacto psicológico sobre os profissionais da saúde. Segundo ele, médicos e equipes enfrentam uma rotina exaustiva, lidando com demandas excessivas sem a perspectiva de melhorias a curto prazo. “Trabalhar nessas condições diariamente afeta o emocional e compromete a qualidade do atendimento prestado à população”, alertou.
A Urgência de Investimentos na Saúde
Durante a entrevista, foi ressaltada a necessidade de um debate mais amplo envolvendo os governos municipal, estadual e federal. O objetivo é buscar soluções efetivas para reestruturar o sistema de saúde e garantir melhores condições tanto para os pacientes quanto para os profissionais da área.
Dr. Marcelo lembrou que os três principais hospitais que atendem a rede pública em Campo Grande – o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, a Santa Casa e o Hospital Universitário – não receberam grandes ampliações estruturais nas últimas décadas.
“O último grande hospital construído na cidade foi o Hospital Regional, em 1994. De lá para cá, a população aumentou exponencialmente, mas a infraestrutura hospitalar continua praticamente a mesma”, destacou.
A necessidade de investimentos em novos leitos, equipamentos e profissionais qualificados foi um dos principais pontos defendidos pelo representante do sindicato. Além disso, ele alertou para a importância de ações estratégicas que descentralizem os atendimentos e fortaleçam a rede de hospitais do interior do estado, reduzindo a sobrecarga da capital.
Confira a entrevista completa: