*De Fabiano Reis, jornalista e mestre em Produção e Gestão Agroindustrial
Ontem passei boa parte do final de tarde ouvindo Donald Trump, o traduzindo com meu inglês parco, interpretando as sinalizações do Império que enxerga o domínio global encolhendo a cada dia e busca agora dar alguma manutenção no grande poder que tem.
Depois disso, enquanto o Botafogo passava vergonha no Chile, recebi as gravações de alguns economistas, pois entendam: para agricultura brasileira o arroubo de ontem foi excelente, globalizou o mundo sem os EUA.
Hoje, quando o mercado abriu não poderia ser diferente. Chegou a hora do mundo acabar e as bolsas de valores se esparravam pelo chão com as taxas norte-americanas e a promessa de tarifas maiores para quem retaliar.
O Índice dólar despenca (o dólar comparado às principais moedas do planeta) queda de 2,25%, no Brasil recua 1,41% (aqui o negócio é diferente).
A intensidade fazia o Bitcoin despencar 4,4%, a União Europeia jurar vingança tarifária (a vaca foi para brejo mesmo, pode até sair, mas está lá, enquanto o “Dia da Libertação” perdurar) Dow Jones perde mais de 1.000 pontos e, se seguir desta forma, deve mudar de nome.
A China deu ultimato aos EUA e disse que vai fazer qualquer coisa para defender seus interesses econômicos. Nasdaq também viu 5% do seu valor deixar de existir. Não obstante, aquele pessoal que desaprendeu a ler livros, pode colocar a barba de molho, pois o Google será taxado! Muita gente não sabia, mas tem a sua própria “inteligência artificial” há décadas. Por aqui, meu sistema deu pau ou a B3 está subindo mais de 1%.
Pagode Russo
Acompanho e sigo jornalistando o fato ouvindo no fone de ouvido a única música que faz sentido neste momento, “Ontem eu sonhei que estava em Moscou; Dançando pagode russo na boate Kossacou; Parecia até um frevo naquele cai e não cai; em cá cossaco, cossaco dança agora…”, por aí vai na música de Luiz Gonzaga.
Por falar em Moscou, o Governo Russo considerou um absurdo os Estados Unidos ameaçarem atacar o Irã. Eles não devem ficar quietos e já devem arquitetar mais algum tipo de ataque a Ucrânia, aliás, taxada em 10%, como o Brasil.
Os Estados Unidos, dias antes, sem nenhum discurso chato ambientalista, anunciaram um programa para produção de biodiesel com investimento de US$ 500 milhões, livrando os norte-americanos de parte da dependência por combustível fóssil e tranquilizando o agricultor dos EUA que não vão conseguir vender sua soja para China ou o milho para México.
Hoje a OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo) anunciaram que vão elevar a produção de petróleo e todo combustível fica mais barato.
Dia da Libertação
A China, elevada a condição de parceiro comercial mais desejado do mundo pelos EUA, vai fazer duras retaliações aos norte-americanos. Com isso, vão comprar tudo o que puderem de soja do Brasil, o que dá um novo prisma para os preços da supersafra brasileira 2024/25 e, também na 2025/26, que deve ser ainda maior.
Só vai entrar algodão em território chinês originado no Brasil, na Austrália e de qualquer lugar que não sejam os EUA.
Da forma como a situação foi constituída, o Brasil deve vender milho até para o México.
Brasil tem oportunidade de conquistar todos os mercados de carne bovina atendidos pelos EUA, como o do Japão, que em breve comprará carne brasileira. Japão foi taxado em 24%, inclusive.
Há risco de várias ordens, mas em muitos aspectos, o agro brasileiro é quem melhor se adapta ao caos do “Pós Dia da Libertação”