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PRECARIEDADE

Pacientes aguardam leitos em corredores e até no centro cirúrgico da Santa Casa

Secretarias de Saúde do Estado e do Município informaram que a crise no hospital não se deve a atraso nos repasses do SUS, que estariam em dia

Área verde do Pronto Socorro tem 70 pacientes à espera de leitos - Foto: Divulgação/ABCG
Área verde do Pronto Socorro tem 70 pacientes à espera de leitos - Foto: Divulgação/ABCG

No boletim atualizado na tarde desta segunda-feira (24) pelo Núcleo de Inteligência e Regulação Hospitalar (NIR), 87 pacientes ainda permanecem internados no Pronto Socorro da Santa Casa de Campo Grande.

Na área vermelha, onde ficam os pacientes mais graves e que necessitam de atendimento emergencial, há 17 pacientes. Já na área verde, são 70 pacientes, a maioria espalhada pelos corredores da unidade.

No Pronto Socorro só deveriam permanecer 13 pacientes, conforme a contratualização dos serviços hospitalares pelo SUS (Sistema Único de Saúde), conforme o convênio assinado entre o hospital e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), que repassa à instituição mais de R$ 30 milhões por mês.

De acordo com a Direção Técnica do hospital, devido à superlotação e a consequente falta de leitos, dois pacientes seguem internados dentro do Centro Cirúrgico e outros nove estão espalhados nos corredores, em outros andares da unidade.

Pela manhã, a Santa Casa enviou um ofício às autoridades municipais e estaduais solicitando a suspensão do encaminhamento de pacientes para o hospital e a transferência de pacientes para outras instituições hospitalares. No documento, a Santa Casa confirma que enfrenta “desabastecimento grave de insumos” e que não consegue manter o atendimento adequado e seguro aos pacientes.

Posicionamento das Secretarias de Saúde

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-MS) se limitou a divulgar que “os repasses financeiros contratualizados com a Santa Casa de Campo Grande estão em dia“, conforme imagem abaixo.

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) também informou que não há repasses do SUS em atraso com o hospital e que a atual crise enfrentada com a superlotação se deve ao fato da unidade ser referência estadual no atendimento aos pacientes politraumatizados ou que exigem atendimentos de alta complexidade, como cardíaco e neurológico.

Em nota encaminhada à redação do Portal RCN67, a Sesau destacou “o aumento expressivo de casos de doenças respiratórias, o que impacta diretamente a demanda por leitos e atendimentos de urgência em Campo Grande“.

Leia a nota na íntegra:

NOTA DA SESAU

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) esclarece que não possui qualquer débito com a Santa Casa de Campo Grande e reitera o compromisso com a continuidade e qualidade dos serviços prestados à população.

Sobre o atendimento de traumas, a Sesau enfatiza que a sobrecarga no pronto-socorro decorre do fato de a Santa Casa ser referência em trauma para todos os 79 municípios do Estado, e não apenas para a Capital. Esse cenário evidencia a necessidade urgente de expandir a oferta de atendimentos especializados em cidades estratégicas do interior, aliviando a pressão sobre os serviços de saúde de Campo Grande.

Além disso, os hospitais da rede estadual também registram alto volume de atendimento, agravada pelo aumento expressivo de casos de doenças respiratórias, o que impacta diretamente a demanda por leitos e atendimentos de urgência em Campo Grande.

A Sesau segue atuando para aprimorar o atendimento hospitalar, buscando soluções que garantam assistência de qualidade à população.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça ainda sobre a importância de a população procurar o atendimento adequado conforme a gravidade do caso, garantindo um fluxo mais eficiente e reduzindo a sobrecarga nas unidades de urgência e emergência. Às unidades de saúde vêm registrando nos últimos dias, aumento no volume de atendimento.

Pacientes com casos mais graves (classificação amarela), que necessitam de atendimento urgente, devem se dirigir a uma unidade de saúde 24h, como os Centros de Regulação de Serviços (CRS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA).

Já os casos leves (classificação azul e verde), como sintomas gripais leves e pequenas queixas de saúde, podem ser atendidos nas Unidades de Saúde da Família (USFs), por demanda espontânea.

A Sesau reforça a necessidade de que cada paciente busque a unidade mais adequada em cada caso. Com essa organização, é possível garantir um atendimento mais ágil e eficiente para todos.