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SOBRECARGA NAS UPAS

Saúde pública da Capital enfrenta superlotação e gestão ativa plano de contingenciamento

Em Campo Grande, todos os 1.300 leitos contratualizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão ocupados e, além disso, 195 pacientes adultos e 18 crianças aguardam vagas

Reunião realizada na manhã desta quarta-feira (2) no gabinete da prefeita - Foto: Gerson Wassouf/RCN67
Reunião realizada na manhã desta quarta-feira (2) no gabinete da prefeita - Foto: Gerson Wassouf/RCN67

A situação da saúde pública em Campo Grande tem sido motivo de preocupação diante do aumento expressivo de doenças respiratórias e da superlotação das unidades de urgência e emergência. Para lidar com o problema e apresentar o plano de ação diante do cenário, foi realizada, na manhã desta quarta-feira (2), a primeira reunião do ano do Centro de Operações de Emergências de Saúde Pública (COE), no Gabinete da Prefeita.

De acordo com a secretária de Saúde da Capital, Rosana Leite, todos os 1.300 leitos contratualizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no município estão ocupados. Além disso, 195 pacientes adultos e 18 crianças aguardam vagas, sendo que parte desse contingente vem do interior do estado.

As nossas unidades de pronto atendimento estão equipadas para dar esse suporte como se fossem hospitais. Temos medicamentos, profissionais especializados e equipamentos adquiridos para atender pacientes com doenças respiratórias graves“, contou a secretária.

Para lidar com a crise, um plano de contingenciamento foi inciado. A prefeita Adriane Lopes destacou que equipes volantes (grupos de profissionais que atuam em áreas prioritárias ou com grande demanda) foram deslocadas para as unidades a fim de reduzir o tempo de espera e melhorar o atendimento.

A equipe técnica da Secretaria de Saúde está avaliando o agravamento das doenças respiratórias, e entramos agora com a campanha de vacinação para proteger crianças e idosos”, afirmou a gestora.

Outro ponto abordado foi a necessidade de reforço na segurança das unidades de saúde. Segundo a prefeita, um monitoramento por aplicativo será disponibilizado aos profissionais da área, semelhante ao protocolo já adotado na ronda escolar.

Déficit de leitos e busca por recursos

O déficit de leitos hospitalares tem sido um dos principais desafios. Além do impacto causado pelo aumento dos casos de doenças respiratórias, a cidade ainda sofre com a alta incidência de acidentes de trânsito e o agravamento de doenças crônicas, o que contribui para a sobrecarga do sistema.

Diante desse cenário, a secretária de Saúde explicou que a ampliação da capacidade de atendimento depende de um aumento no repasse de recursos federais e estaduais. Na semana passada, a Prefeitura de Campo Grande esteve em Brasília para reunião com Ministério da Saúde e solicitar um aporte financeiro, justificando que a Capital também atende pacientes vindos do interior do estado.

Atualmente, 36% do orçamento municipal é destinado à saúde, mais do que o dobro do percentual mínimo exigido por lei (15%). Apesar disso, a demanda crescente tem exigido medidas emergenciais, como a contratação de mais médicos. De acordo com a prefeita, novos profissionais foram convocados na última sexta-feira (28) e a expectativa é que, até o final desta semana, eles comecem a atuar nas unidades de saúde.

Clima Tenso

Com a sobrecarga nos atendimentos, o cenário é tenso nas filas de espera em diversas unidades de saúda da Capital. Após um caso polêmico ococrrido na UPA Coronel Antonino nesta terça-feira (1), onde uma médica recebeu voz de prisão após ser acusada de omissão de socorro no atendimento à uma criança, a prefeita afirmou que foi um caso isolado e que ações estão sendo realizadas para que não volte a acontecer.

Nós conversamos com o governador sobre essa situação, foi uma situação pontual, já foi resolvida, mas nós estamos trabalhando, trazendo para os servidores e os médicos que estão atuando nas nossas unidades, esse reforço na segurança para que a gente não tenha intercorrências“, disse.

Campanha de conscientização e atendimento nas UPAs

Outro ponto levantado durante a reunião foi a necessidade de conscientização da população sobre o fluxo de atendimento na rede pública. O vereador Maicon Nogueira destacou que muitas pessoas procuram as unidades de urgência com sintomas que poderiam ser tratados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Segundo ele, “essa falta de informação contribui para a superlotação das UPAs“.

O vereador Fábio Rocha também reforçou a importância do trabalho de fiscalização realizado pela Câmara Municipal. “Nós vereadores vamos estar sempre acompanhando as unidades básicas de saúde para garantir que a população tenha atendimento digno”, afirmou.

A Prefeitura garantiu que medidas estão sendo tomadas para minimizar o impacto da crise e melhorar o atendimento à população. Entre elas, estão a intensificação da vacinação contra doenças respiratórias, o reforço na segurança das unidades e a busca por novos repasses de recursos.

Enquanto isso, a orientação é que a população procure atendimento em postos de saúde sempre que possível, deixando as UPAs e hospitais para casos mais graves.