Sete pessoas, incluindo três indígenas e dois adolescentes, foram resgatadas de condições análogas à escravidão em uma fazenda no município de Porto Murtinho (MS).
A ação, realizada pela Fiscalização do Trabalho com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT), foi concluída em 3 de abril e incluiu também o suporte de forças de segurança estaduais e federais.
O grupo atuava na Fazenda Bahia dos Carneiros, localizada em área de difícil acesso, o que exigiu deslocamento aéreo das equipes de fiscalização.
Entre as irregularidades encontradas estavam a ausência de alojamentos adequados, falta de água potável, inexistência de banheiros e jornadas sem folga semanal.
Os trabalhadores dormiam sob lonas e utilizavam água da chuva para consumo, características encontradas em práticas de trabalho escravo.
Um dos trabalhadores, único com registro em carteira, atuava como capataz e contratava os demais. Ele relatou ter informado o empregador sobre as condições precárias, mas a promessa de melhorias nunca foi cumprida.
Outro trabalhador afirmou realizar necessidades fisiológicas no mato e tomar banho com caneca por não haver instalações sanitárias.
O proprietário da fazenda foi notificado a comparecer a audiência extrajudicial conduzida pelo MPT. Caso não haja acordo, a ação poderá ser judicializada, com possível pedido de expropriação da propriedade para fins de reforma agrária.
Há suspeitas de que o mesmo empregador utilize práticas semelhantes em outra fazenda na região e em propriedades no estado de São Paulo.
Resgate e Condições Encontradas
Somente em 2025, 33 trabalhadores foram resgatados de trabalho escravo em MS, todos em áreas rurais de Porto Murtinho e Corumbá.
Denúncias e Canais de Ajuda
Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo site do MPT-MS, aplicativo MPT Pardal, portal da Inspeção do Trabalho ou presencialmente em unidades do Ministério Público do Trabalho em Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.