
A crise na Santa Casa de Campo Grande tem causado impactos significativos no atendimento à população. Déficit de leitos, superlotação e dificuldades financeiras foram alguns dos problemas abordados pela secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, em entrevista concedida ao Microfone Aberto, na manhã desta segunda-feira (31).
Após uma semana marcada por decisões judiciais, registros de boletins de ocorrência e restrições no atendimento ortopédico, a situação do hospital continua crítica. Até o momento da entrevista, 54 pacientes estavam internados no Pronto-Socorro adulto, enquanto a capacidade do SUS era de apenas 13 vagas. Na ala pediátrica, 17 crianças ocupavam os leitos, embora o limite fosse de 10. Além disso, 111 pacientes aguardavam cirurgias ortopédicas, sendo 44 ainda sem previsão para o primeiro procedimento.
Dívida milionária e disputa judicial
Durante a entrevista, a secretária esclareceu a polêmica sobre a cobrança de R$ 46 milhões feita pela Santa Casa ao município. O valor refere-se a um repasse do período da pandemia que, segundo Rosana, foi judicializado devido a divergências na interpretação de normas federais.
“A época da pandemia, o governo federal instituiu uma lei que não cobrava metas quantitativas e qualitativas dos hospitais credenciados pelo SUS. Os valores pré-fixados foram pagos integralmente, mas houve um entendimento diferente sobre os repasses pós-fixados, o que levou ao questionamento judicial”, explicou.
A prefeitura recorreu da cobrança, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o pagamento não deve ser feito até nova avaliação. O município alega que cumpre com os repasses previstos em contrato.
Falta de Leitos
Além da questão financeira, Rosana Leite destacou a falta de leitos hospitalares como um dos principais desafios da rede pública de saúde da capital. Segundo ela, o déficit varia entre 500 e 1.000 leitos, o que impacta diretamente o atendimento na Santa Casa e em outras unidades.
“A Santa Casa, assim como outros hospitais, tem sua importância e precisa de suporte. Campo Grande hoje tem mais de um milhão de habitantes, mas o número de cartões SUS registrados ultrapassa 1,4 milhão. Ou seja, recebemos pacientes de todo o estado”, ressaltou.
Confira a entrevista completa:
A crise no atendimento hospitalar tem sido acompanhada de perto pela gestão municipal, estadual e federal. Na última semana, a secretária esteve em Brasília para solicitar um aumento nos repasses da União. Segundo ela, há mais de um ano não são feitos pagamentos adicionais para cobrir a produção hospitalar que excede os valores contratualizados.
Durante a entrevista, a secretária revelou que a bancada federal destinou R$ 25 milhões para auxiliar a unidade. No entanto, o valor não será suficiente para cobrir todo o montante reivindicado.