Se passar algumas horas desconectado do universo virtual ou distante de qualquer aparelho tecnológico te deixa fortemente angustiado, cuidado. A tensão em não ter o celular por perto é o principal sintoma do que a medicina chama de nomofobia. Trata-se de uma perturbação mental causada pela incapacidade de comunicação por meio de aparelhos celulares ou computadores.
A palavra “nomofobia” é a abreviatura para “No Mobile Phone Phobia”, ou fobia de ficar sem celular. Esse tipo de fobia foi identificado na Inglaterra, em 2008, e já é reconhecido pela medicina brasileira como um distúrbio dos tempos modernos.
De acordo com uma pesquisa realizada na Inglaterra, 66% das pessoas disseram sofrer do transtorno e têm medo de perder o telefone celular. O problema atinge, principalmente, pessoas entre 18 e 24 anos de idade.
A estudante Viviane Aparecida Bispo, de 21 anos, se considera uma pessoa totalmente dependente do celular e afirma não conseguir viver distante do aparelho. “Está comigo o tempo todo, não desgrudo dele por nada”, conta. A jovem relatou ao Jornal do Povo que o aparelho é indispensável em todos os meios, familiares, escolar e profissional.
“O celular encurta distâncias. Converso diariamente com meus pais, que residem em outra cidade, e quando estou lá mantenho contato com o pessoal da faculdade. Para o trabalho também é importante, afinal é possível agilizar muitas tarefas em pouco tempo de conversa”, opina.
Apesar de destacar as vantagens que o aparelho proporciona – de ligações à troca de mensagens, fotos e vídeos – a estudante reconhece que o uso excessivo compromete o relacionamento que possui com pessoas que estão próximas a ela e até mesmo no desempenho profissional e escolar. “O dia em que meu pai disse ‘filha, deixa um pouco esse celular’, foi um marco. Eu não estava conversando nada muito importante com outras pessoas no WhatsApp, daí notei que aquilo não me acrescentava em nada. Ao contrário, estava perdendo um precioso tempo com meus pais”.
O médico e psicanalista, Antônio João Campos de Carvalho, aponta que, ao longo da evolução tecnológica a necessidade do uso do celular também cresceu. “Muitas pessoas utilizam a internet como meio de divulgar a própria vida. Falar de si e dos outros. O que poucos reconhecem é que estar ausente deste mundo é completamente normal e saudável”, considera o especialista.
Na quinta-feira (17), o aplicativo WhatsApp ficou bloqueado por decisão da Justiça de São José dos Campos por 13 horas em todo o país. “Não é o fim do mundo ficar off line por um tempo. Conversar pessoalmente é muito mais interessante e saudável”, avalia o médico.