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bola da vez

Citricultura desponta como a nova força econômica na Costa Leste

Depois da pecuária e da celulose, agora é a citricultura que desponta como a nova aposta da região Leste de MS

Três Lagoas conta com aproximadamente 167 hectares de laranja plantados. Foto: Reprodução/TVC HD.
Três Lagoas conta com aproximadamente 167 hectares de laranja plantados. Foto: Reprodução/TVC HD.

Depois de décadas como referência nacional na pecuária e mais recentemente no setor de celulose, a Costa Leste de Mato Grosso do Sul começa a escrever um novo capítulo em sua trajetória econômica. Agora, é a citricultura que desponta como a nova aposta da região, impulsionada por condições naturais privilegiadas, incentivos fiscais do estado e a chegada de grandes grupos interessados em investir no cultivo da laranja.

Com forte presença da indústria de celulose e um histórico de produção pecuária, Três Lagoas, e os municípios vizinhos veem na citricultura uma oportunidade de diversificar a economia e fortalecer pequenos e médios produtores. O governo do Estado tem apostado alto nesse movimento, e já publicou um decreto concedendo incentivos fiscais à produção de laranja até 2032, com o objetivo de impulsionar não apenas a produção agrícola, mas também a industrialização do suco de laranja no território sul-mato-grossense.

A laranja já floresce em regiões como Ribas do Rio Pardo, Sidrolândia, Naviraí, Cassilândia e Três Lagoas começa a entrar nesse mapa. De acordo com o presidente do Sindicato Rural do município, Bruno Ribeiro, a expectativa é de um crescimento exponencial nos próximos anos. “A expectativa nossa é gigante. Nós temos clima, água, as nossas áreas são planas e livres de doenças. O pessoal de São Paulo que está vindo para cá, porque está fugindo de problemas sanitários lá, então Mato Grosso do Sul virou a bola da vez”, afirma Bruno.

Segundo ele, hoje Três Lagoas conta com aproximadamente 167 hectares de laranja plantados, conforme dados da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal). A projeção, no entanto, é ambiciosa: passar para 3 mil hectares nos próximos anos. “Já temos dois grupos grandes que anunciaram mil hectares cada. Tem bastante gente procurando áreas. O Sindicato tem acompanhado esse movimento, ajudando a conectar produtores com empresas e indústrias”, reforça o dirigente.

Apesar do entusiasmo, a citricultura não é isenta de desafios. Um dos principais riscos apontados por especialistas é o greening, doença provocada por um inseto conhecido como psilídeo, que já causou prejuízos bilionários em pomares paulistas. Bruno destaca a importância de ações preventivas e conscientização da população.

“Já tivemos reuniões com a prefeitura de Três Lagoas, com a Iagro, sobre o risco das doenças. Tem que eliminar plantas hospedeiras como a murta. Pedimos até para que as pessoas deixem de cultivar limão em casa, porque isso pode acabar com um pomar inteiro. É difícil, mas o coletivo tem que estar acima do individual. Pensar em Três Lagoas e no desenvolvimento da região.”

Para Bruno, a diversificação da atividade agrícola é o caminho natural para a sustentabilidade do campo. “Monocultura não é solução. A chegada da citricultura se soma ao eucalipto, à pecuária, à soja, milho, à agricultura familiar. Quanto mais diversificado, melhor para todos”, conclui.